Neste fim de semana terminei a leitura do livro Laranja Mecânica. São Paulo: Editora Aleph, 2004. Edição traduzida com muita competência por Fábio Fernandes – Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC.
A história é narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, é brilhante e perturbadora, mostrando uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex em seu ambiente causa um choque no inicio da leitura. Este choque é criado propositalmente pelo autor, usando semiótica com o objetivo de imergir o leitor em um mundo paralelo e futurista, de forma que mesmo o livro tendo sido escrito em 1962, continua cumprindo seus objetivos e sendo uma história de vanguarda com uma mensagem forte e inteligente.
O livro é dividido em três partes, buscando uma análise mais completa de cada uma das situações e críticas sociais do mesmo.
Na primeira parte, é dada a apresentação do personagem principal, Alex, e sua interação com o mundo e seus “Drugues”(amigos) e como se dão as inter-relações na gangue.
A segunda parte, mostra Alex na prisão e os questionamentos sobre o tratamento “Ludovico” (lavagem cerebral) e na terceira parte, mostra a reintegração de Alex ao chamado “Mundo Real”.
Algumas das criticas interessantes que acontece no decorrer da história:
Destruição dos valores do mundo antigo
O primeiro capitulo é iniciado com uma cena da ultra-violência de Alex e seus drugues, onde o diálogo com um velho mendigo, seguido de seu espancamento que mostra a destruição dos valores do mundo antigo, seu passado e suas tradições:
Velho – Não quero mesmo viver, não num mundo nojento como este.
Alex – E o que há de tão nojento neste mundo?
Velho – É nojento porque não há mais lei nem ordem. Porque permite que jovens ataquem velhos como me atacaram.
É um mundo que não serve mais para os velhos. Homens na Lua, homens girando em redor da Terra,
e ninguém mais liga para a lei e a ordem Terrestres…
Quebrar com as antigas estruturas sociais
Outra critica pesada é quando o grupo dele com a intenção de destruir um “Lar”, como é mostrado na placa de entrada da mesma, não só aquele lar, mas de certa forma, todas as “casas”, as ordens e leis familiares.
Para invadir a casa, Alex mostra no dialogo que com um pequeno truque engana a moça e eles invadem a sua casa, ou seja, “a mentira é o que abre as portas”, veja:
Alex – Desculpe Senhora, mas houve um acidente horrível! Meu amigo se esvai em sangue. Posso chamar a ambulância?
Mulher – Desculpe, mas nós não temos telefone.
Alex – Mas é um caso de vida ou morte!
Banalização do sexo
O autor mostra como o sexo é conseguido facilmente e não passa de um acontecimento qualquer na vida de nosso protagonista, o bom e o ruim já não tem mais valor. Neste momento, Alex facilmente leva duas garotas recém conhecidas para a sua casa e brutalmente executa o que ele chama de “entra sai entra sai” sem sentimento ou valor algum.
Depois disso seguem diversas criticas ao estado/religião e suas formas de manipular o povo, a traição, os fins justificando os meios(Maquiavel), a importância do “livre-arbítrio” (A Bondade é uma escolha. Se o homem não pode escolher, deixa de ser um homem).
Enfim, o livro é maravilhoso ou “horrorshow” como diria meu amigo Alex. Depois de sua leitura, você jamais será o mesmo!
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Caso queira dar uma olhada em um ebook que encontrei na web, segue o link:
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Se você já leu, deixe seu comentário, se ainda não leu boa leitura!!
Abraços